Este site é uma homenagem à vida e à obra de Claudio Cesar, um artista multifacetado que dedicou grande parte de sua trajetória à expressão artística. Nascido no Rio de Janeiro, em 1956, e radicado em Fortaleza desde o início da década de 1980, Claudio Cesar transcendeu sua formação como advogado para destacar-se como pintor, escultor e desenhista. O Que Muitos Não Viram busca compilar e apresentar suas obras mais representativas, em uma narrativa visual que preserva e celebra um importante recorte de seu legado artístico.
A publicação revela sua incansável produção, associada à liberdade criativa e a uma perspectiva surrealista que imprimia à própria história. Claudio Cesar criava personagens recorrentes e tecia narrativas lúdicas sobre suas vivências, revisitava temas da infância e fundia-os com tramas complexas e devaneios, desafiando a fronteira entre o real e o imaginário e evidenciando a abundância de seu universo onírico.
A influência de mestres como Hieronymus Bosch e Pieter Bruegel é refletida em suas obras, especialmente na combinação de elementos fantásticos e cotidianos. Como Bosch, Claudio explorava cenários densamente povoados e criaturas híbridas, mesclando entre a realidade e a fábula em composições visualmente complexas. Já a conexão com Bruegel se reflete em seu olhar crítico e empático sobre a condição humana, sempre permeada por humor e poesia.
Claudio personificava a espontaneidade, impulsionado por uma urgência de expressão que parecia pressagiar a brevidade de seu tempo entre nós. Suas criações eram uma extensão autêntica de si, desenhando um universo kafkiano de absurdos. Pintava seu mundo sem restrições, movido pela curiosidade, uma característica fundamental de sua personalidade. Com pincéis, bicos de pena e esculturas, registrou cenas de uma intensidade visceral, revelando seu olhar único e incomparável sobre o cotidiano e a fantasia. Em um rompimento com a realidade, refugiou-se em suas quimeras.
O artista dedicou-se também a capturar as peculiaridades do povo cearense, enriquecendo suas obras com toques de poesia e humor. Flores, paisagens, retratos do dia a dia e seu querido São Francisco tornaram-se temas recorrentes em sua produção e parte de sua mitologia pessoal, mergulhando na paleta vibrante inspirada pelo sol do Ceará. Além de transmitir sua força interior nas telas, Cesar se expressou por meio de belas esculturas e desenhos em bico de pena, que produzia de forma arrebatadora.
Cada pincelada, traço e modelagem reflete não apenas sua busca por significado e vitalidade, mas também seu esforço em capturar a efemeridade da vida em formas duradouras e utópicas, resistindo ao esquecimento que o tempo impõe. Claudio Cesar encontrou na arte sua autêntica razão de existir.
Andréa Dall'Olio Hiluy
Curadora de arte
CLAUDIO CESAR
O Que Muitos Não Viram
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